Sábado, 11 de Julho de 2009

Ética e publicidade

A publicidade procura vender produtos diversos e para tanto, se utiliza de vários artifícios como, por exemplo, a presença de modelos, celebridades, bichos, cantores, esportistas entre outros.

Um certo publicitário, muito famoso no país, já disse em alto e bom som para quem quisesse ouvir que a publicidade não tem ética. Sua preocupação é vender o produto, não importanto por que meios ou tipos de mensagens.

Para tanto, busca sempre um protagonista que possa gerar um certo valor ao produto.

Nem sempre ela tem a intenção de vender um produto. As vezes, a publicidade se direciona para vender uma ideia ou ideias, como ocorre na época das eleições.

Para Emir Sader, na última edição da Caros Amigos, "O marketing, a publicidade, são expressões da concepção de mundo que busca mercantilizar a tudo, que trata de que tudo tenha preço, tudo se venda, tudo se compre, da visão da sociedade como uma espécie de shopping-center, da vitória do mercado contra o direito. Democratizar é desmercantilizar, é afirmar direitos e esfera pública contra o reino do mercado e do marketing".

Domingo, 5 de Julho de 2009

Livro do Hobsbawn

SINOPSE

Autor do clássico Era dos extremos e louvado mundialmente como um dos maiores historiadores vivos, Eric Hobsbawm
apresenta uma coletânea de dez palestras e conferências em que faz um balanço dos principais temas da política internacional dos nossos dias.

Embora trate de um amplo conjunto de assuntos — imperialismo, nacionalismo e hegemonia, guerra e paz, ordem pública
e disponibilidade de armas, o poder da mídia, mercado e democracia, além de futebol e cultura contemporânea —, a
obra tem forte unidade temática, centrada na análise da situação mundial no início do novo milênio e dos problemas
mais agudos que nos confrontam.

Longe de ser um “otimista”, Hobsbawm mostra-se crítico com relação às tendências que prevalecem no mundo de hoje. Considera “remotas” as perspectivas de uma paz mundial sólida no século XXI; ressalta o forte crescimento das desigualdades econômicas e sociais e dos desequilíbrios ambientais e políticos trazidos pela globalização baseada no conceito do mercado livre; e não poupa críticas à atuação do governo americano, tanto do
ponto de vista econômico-financeiro quanto do político-militar. “Houve um tempo em que o império americano reconhecia
a existência de limitações, ou pelo menos a conveniência de comportar-se como se tivesse limitações. Isso se devia basicamente ao fato de que tinha medo de alguém mais — a União Soviética. Na ausência desse tipo de medo, é preciso que o interesse próprio esclarecido e a cultura tomem o seu lugar”, sentencia Hobsbwam.

Com o ar crítico e ousado que caracteriza seus estudos, Hobsbawm classifica a democracia como “uma vaca sagrada que dá pouco leite” e, sem perder o estilo, a leveza e o bom humor, diz que “enfrentamos o terceiro milênio como o irlandês
anônimo que, perguntado sobre o caminho para Ballynahinch, refletiu e disse: ‘Se eu fosse você, não começaria por aqui’.”

Maiores dados sobre o produto consultar LIVRARIA DA TRAVESSA

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Marketing

Com as restrições à publicidade infantil na televisão e, também, a extinção dos outdoors em São Paulo, as empresas estão se utilizando de estratégias como o chamado "marketing de guerrilha".

Elas estão, através de palestras, gincanas e teatrinho, buscando promover os seus produtos com os "inocentes" brindes distribuídos durante as atividades.

Eis que a publicidade entrou nas escolas paulistas. Não vai demorar, teremos patrocinadores nas camisas e mangas do uniforme escolar e/ou marcas diversas em lápis, canetas e cadernos, tudo, dirão, pedagogicamente orientado.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Blog analógico




Muitas pessoas acham que desenvolver um blog é algo muito complicado. Evidente que demanda tempo e dedicação para podermos passar para os nossos leitores informações confiáveis. Antes de escrevermos uma postagem, precisamos ler, garimpar informações, checar determinadas fontes, etc, etc e, é claro, usar a criatividade.

Foi justamente a criatividade somada com a falta de inclusão digital vivido pelos Líbios que fez com que Alfred Sirleaf se mexesse e criasse o seu blog analógico.

Ele atualiza as informações tomando como base as inúmeras mensagens que ele recebe pelo celular dos seus amigos espalhados pelas cidades e até óutros países. Tem até publicidade que ele cobra a depender do lugar que você queira colocar a sua marca. São 5 dólares na parte inferior, 10 em qualquer uma das laterais e 25 na parte baixa da área principal.

Parece ou não um website normal?

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

AS TRADIÇÕES MERCANTIS DO SÉCULO XXI


Gustavo Atallah Haun

Com a passagem das festas juninas, podemos ver o quanto as festas
folclóricas tradicionais estão voltadas a um mercado consumidor,
notadamente de turistas que procuram o interior para tentarem viver o
que não conseguem trancafiados nos seus apartamentos, ou nas suas
casas blindadas, e no moderno corre-corre da vida videofinanceira
computadorizada.

A tão esperada festa de São João, com suas comidas, danças e
peculiaridades típicas estão dando espaço às megaproduções
particulares, fechadas em fazendas ou parques de exposições,
pagando-se um alto custo pela camisa que dá direito a adentrar e
participar da mesma.

Já não há mais aquela ingenuidade do interior, onde se armavam as
fogueiras nas roças ou nas portas das casas e, numa roda de amigos,
bebiam licor e quentão até o dia raiar. Até tentam imitar isso, mas
está longe daquela imagem bucólica e cultural de antes.

É a transformação própria impressa pelo capital, assim como as festas
de carnaval, natal e outras datas comemorativas, tão modificadas ao
longo dos anos. Na festa natalina, por exemplo, o que menos se
comemora é o nascimento de Jesus. O bom e velho Papai Noel, importado
dos países nórdicos europeus, tomou o lugar do Messias, fazendo uma
particularização indevida que leva a todos ao consumismo exacerbado de
presentes e guloseimas sem nexo.

Certa feita, em conversa com o mestre Ruy Póvoas aprendi que existe
uma mistificação nada respeitosa aos ritos do candomblé. O lindíssimo
Balé Folclórico da Bahia, sediado em Salvador, ajuda a propagar essa
idéia, mostrando para os visitantes, na sua maioria estrangeiros,
algumas danças, músicas e orixás da religião afro-descendente.

O professor se mostra indignado quando uma professora ou artista
desavisada telefona pedindo emprestado as roupas e os paramentos dos
orixás da sua religião, para uma apresentação “circense”. Por que não
fazem isso com o Catolicismo, ou com o Espiritismo, ou com o Budismo?,
questiona o babalorixá. Querem transformar a religião, os mitos, as
crenças vindas de África em um pseudo-folclore, em diversão para os
olhos alheios.

O antigo entrudo e os carnavais vienenses, festas pagãs que vieram
para o Brasil através do branco europeu, disseminada aqui por todos os
cantos e que se moldou ao nosso carnaval de baile, de rua e de
sambódromo, hoje não passa de uma excrescência voyeur dos que lá
freqüentam, voluptuosa e devidamente paga com o sexo e a desestrutura
íntima da multidão, sociologicamente falando.

Também não deixou de ser uma festa capitalista. Os boxes de vendas de
produtos, as empresas que montam a infra-estrutura da mesma, os blocos
de carnaval, o alto preço das fantasias e os super cachês das bandas
acabaram por findar a molecagem ingênua dos meses de fevereiro.

Isso para não falar dos Dias das Mães, dos Pais, dos Namorados e das
Crianças. Sem mesmo deixar de citar a quaresma que desemboca na
Páscoa. Esta uma das mais infelizes de todas, visto que é mentirosa e
ludibria a população há séculos. O ato de comer peixe na sexta-feira
da paixão é uma vergonha, quando na verdade deveríamos era nos tornar
puros de alma, de coração, e não de estômago. Só para lembrar, Hitler
era vegetariano e o boníssimo Chico Xavier um carnívoro…

Todos sabem (e fingem não saber!) da história de que o preço dos
peixes estava caindo e que colocaram esse dogma para que na época da
escassez pudéssemos comprá-los. De gaiatos aí entraram o chocolate
(ovo da Páscoa) e o coelho. Para quem ainda duvida, uma passagem
bíblica do Mestre dos mestres resolve o problema: “não importa o que
entra na boca do homem e, sim, o que sai dela!”

É dessa forma que tudo vai se transformando em lucro, em propina, em
servilismo, em desigualdade social. Quando na verdade deveríamos viver
as tradições e a cultura herdadas (desculpem a redundância!) de forma
ingênua, pura, simples e inofensiva, principalmente para não deixá-las
morrer. Onde está o bumba-meu-boi? O congo? O baile dos mascarados?
Cadê o lança-perfume, os confetes e as serpentinas? Para que lugar
migraram a fogueira, o quentão e as verdadeiras quadrilhas juninas?

Sinto pelas crianças que não poderão aproveitar o que vivenciamos,
saberão por livros e fotografias perdidos no tempo e no espaço,
empoeirados do que foi um dia. E sinto sinceramente pelos idosos que
mantiveram a intensidade dessa fase áurea das tradições culturais,
ajudando para que elas permanecessem entre nós. Em relação ao São
João, agora só resta puxar pela memória e tentar arrastar os pés
imaginários ao som do acordeom do mestre Gonzagão nos terreiros de
outrora, porque nem essa música dita forró-lambadeiro elétrico ajuda.

Gustavo Atallah Haun é professor.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Existia em Itabuna uma empresa de ônibus que fazia o transporte pela microregião cacaueira chamada de SULBA. Lembro-me muito bem dela, pois o seu pátio/garagem ficava perto de minha casa, na Querubim de Oliveira e no caminho do Grapiúna Tênis Clube, espaço recreativo de muitas lembranças e alegrias, onde passei bons fins de semanas da minha infância e adolescência.

Mas o assunto é a tal SULBA. Por que me lembrei dela?

Ontem sair de Aracaju, onde fui passar o São João com a família e retornei pela empresa de transporte interestadual de nome BONFIM. Uma ótima viagem. O que foi excessão à regra, dada as histórias contadas por alguns dos passageiros que viajavam de volta para Salvador.

Segundo os mesmos, não é nenhuma novidade, nenhuma surpresa, o ônibus desta empresa quebrar, experiência esta vivida por muitas vezes pela minha sogra que quase sempre, ao tomar a BONFIM para viajar, seja sentido Aracaju-Salvador ou Salvador-Aracaju, o ônibus simplesmente... quebra!!!

Há quem diga que a situação já faz parte do roteiro.

Foi justamente no meio dos "causos" contados pelos viajantes que lembrei-me da tal SULBA. Os ônibus desta empresa tinham a mesma "mania" de quebrar nas suas viagens pela região sul da Bahia. Eram tantas às vezes que o pessoal que se utilizava dos seus serviços criou uma mensagem de boas-vindas para todos os que neles embarcavam.

Com o humor característico do grapiúna que não desiste nunca, dizia: "SULBA para viajar e desça para empurrar".

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Um presente para Itabuna...livros!!!

Visitei hoje a nova livraria da Saraiva em Salvador. Esta agora no templo das compras do bairro da barra. Entre livros e revistas, um gole de café aqui e acolá, pensava em como seria bom um espaço tal e qual em cada cidade do Estado da Bahia. Melhor ainda se em cada cidade do nosso imenso país.

Pensando nisso, pensei na minha cidade que prestes a completar cem anos de emancipação, com um povo hospitaleiro, alegre, trabalhador e inteligente, não tem uma livraria de responsa.

Meu pai, sergipano de Santa Luzia, costumava dizer que sergipano burro já nascia morto. Pois é. Itabuna é uma cidade repleta de pessoas inteligentes, não por ter sido uma cidade desbravada pelo sergipano Firmino Alves, mas sim, por ter nas artérias das sua vilas, favelas, vielas, ruas e avenidas que cortam a cidade, pessoas que se ajudam, que lutam por um lugar ao sol sem negar luz para quem quer que seja. Se a cidade hoje estar como estar, triste, depredada, empanturrada de bares e botecos, quase parando, isso não se deve ao seu povo, mas às políticas que historicamente vem sendo implementada por lá.

Em Itabuna não tem uma livraria de respeito, a altura do seu povo!!! Temos um centro de cultura. Um museu. Um cinema, quando antes tínhamos pelo menos três (me lembro do cine itabuna e o cine marabá), mas livraria... nada!!!

Não estou falando das específicas. Tipo evangélicas, espíritas, didáticas. Estas existem. Falo de livrarias cheias de livros diversos, científicos, com pensamento de vanguarda, crônicas da vida real, literaturas vastas.

Nós, cidadãos desta cidade em especial, estamos devendo este presente a Itabuna. Uma livraria com livros a altura do seu povo.