domingo, 13 de abril de 2008

O Pan e a dengue

Reproduzo abaixo uma mensagem que postei na lista de discussão do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE). A mesma dizia o seguinte:

Uma pergunta que não quer calar.

A FIOCRUZ fez uma estimativa sobre o montante de dinheiro que evitaria a epidemia de dengue no Rio (e as mortes). R$ 30 milhões.

A pergunta: quanto se gastou no Pan, mesmo? 4 bilhões?

sábado, 12 de abril de 2008

Imagem do Real



ÍNDIO É DETIDO POR POLICIAL DA TROPA DE CHOQUE DA PM EM MANAUS DURANTE REINTEGRAÇÃO DE POSSE.

Jornal Folha de São Paulo, 12 de março de 2008

sexta-feira, 4 de abril de 2008

ESPORTE E MERCADO

Pátria sem chuteiras

Os clubes na periferia global são hoje quem produz ou garimpa talentos. Mas empobrecem e perdem, aos poucos, sua ligação simbólica com o torcedor. Nações como o Brasil, que têm no futebol uma pedra fundamental de sua identidade, deixam de se sentir representadas pela seleção nacional
Tiago Soares, Rafael Evangelista

O que um atacante francês tem em comum com um marxista inglês?

Faz pouco tempo, Michel Platini, astro máximo do futebol francês, atual presidente da União Européia de Futebol (UEFA), cutucou a crônica futebolística inglesa ao defender que “é a minha filosofia proteger a identidade dos clubes e dos países. Um jogo entre Manchester United e Liverpool deveria ser entre jogadores de Manchester e Liverpool, entre jogadores dessa regiões. No Arsenal, hoje vocês não têm um treinador inglês, nem jogadores ingleses, e, talvez, o clube nem tenha um presidente inglês daqui a bem pouco tempo” [1].

Mais ou menos na mesma época, o legendário Eric Hobsbawm, historiador inglês de cepa marxista, soltava à seleta audiência do The Times Cheltenham Literature Festival, suas sacadas a respeito do futebol como “cartilha das contradições internas do capitalismo no tempo do Estado-Nação” [2].

“O processo que transformou camponeses em cidadãos franceses, bem como imigrantes em estadunidenses, vem sofrendo uma reversão”, apontou Hobsbawm. E completa: “O Estado-Nação está se esfarelando, e não conseguimos nos entender sem ele. De algum modo, o mundo não parece ser completamente globalizável. Da mesma maneira como clubes e o futebol mundial precisam coexistir, a globalização deve coexistir com os interesses nacionais que ainda têm força o suficiente para se estabelecerem.”

O argumento do sábio marxista é simples: tanto o futebol mundial é incapaz de viver sem o futebol nacional como a globalização, completamente livre do Estado-Nação, tornará o mundo algo ingovernável.

Hoje, o Manchester United disputa o campeonato inglês mais por ser uma das mais rentáveis empresas futebolísticas do mundo do que por ter vínculos com Manchester, sua cidade de origem
Platini e Hobsbawm falam do ponto de vista europeu, realidade bastante distorcida para a audiência latino-americana. Imaginamos aqui que os times da Europa, em razão da excelência de suas administrações, tornaram-se grandes pólos atrativos de verbas publicitárias de empresas e, assim, transformaram-se no lugar de trabalho preferencial dos trabalhadores mais competentes do mundo.

Mas é um pouco mais complicado. Hoje, não são exatamente clubes que competem pelas ligas européias, em especial pela Liga Inglesa. Usando os mesmos brasões e cores dos antigos times, corporações altamente internacionalizadas tomaram seu lugar. Sem muita preocupação em manter o vínculo e a identidade local, essas empresas contratam profissionais do mundo todo, transformando o vestiário do time em uma autêntica torre de Babel. Em 2007, na Champions League (o campeonato inter-continental europeu), 95 dos jogadores registrados eram brasileiros, contra 94 franceses e 45 ingleses.

Assim, o fato de um Manchester United disputar a liga inglesa tem, atualmente, mais a ver com o fato de ela ser uma das mais rentáveis empresas futebolísticas do mundo do que seus jogadores, diretores e comissão técnica terem algum vínculo com Manchester, a cidade-sede do time. Nas palavras de Hobsbawm, o futebol tornou-se um negócio global dominado pelo “imperialismo de uma poucas empresas capitalistas”.

Além disso, o que pouca genta fala é sobre como a neutralização da identidade nacional no futebol europeu, visualizada pelo historiador, anda lado a lado com a deslocalização do futebol jogado nos países exportadores de pé-de-obra. A migração desenfreada de jogadores, mais que mudar o jeito como o jogo é jogado nos países recebedores da tecnologia futebolística, transforma, também, o futebol ao Sul.

O processo afeta também as seleções nacionais. Para o mercado, a equipe brasileira é muito mais um item comercializável que uma marca da cultura do país
Não são poucos os que defendem a idéia de uma pasteurização do futebol global. Jogadores retirados novos demais de seus ambientes, antes mesmo de apreenderem os códigos específicos do jogo como conhecido em suas paragens, vão para o Norte. Enquanto isso, ao Sul, jogadores cada vez mais jovens, ansiosos, determinados a receberem noções puras, desnacionalizadas de técnica e tática, prontos para jogarem tanto na Espanha, quanto na Itália, Inglaterra, França ou Ucrânia. Afinal, jogadores adaptados ao futebol europeu têm mais liquidez enquanto ativo financeiro, coisa valiosíssima num mercado tão azeitado.

Isso tudo impacta, além dos clubes, as seleções nacionais. A tensão é clara. Para as forças de “mercado”, o time nacional, mais que uma mediação entre as muitas culturas do futebol nacional e uma ferramenta de sedimentação cultural no debate global, tornou-se uma instância de inserção do futebol brasileiro como item comercializável no mercado internacional de entretenimento.

Por motivos óbvios, não podemos, ainda, exportar a tecnologia toda. Mas nos colocamos como produtor de matéria-prima de excelência. E os estragos são claros.

Existiu um tempo em que a seleção brasileira, mais que gatilho de mercado, parecia ter um papel de diálogo. Primeiro, entre as escolas futebolísticas dos times daqui: cada jogador da seleção representava uma escola de jogo, dependendo do time do qual vinha. Isso porque o Brasil é um país grande, e essa mediação entre escolas de jogo fazia o futebol nacional fazer sentido para todos — do Rio Grande do Sul ao Nordeste. Um time com atacantes cariocas, meias paulistas, volantes mineiros, zagueiros gaúchos, laterais baianos e paranaenses misturava e obrigava todas essas escolas futebolísticas a conversarem entre si, aprenderem e trocarem informações umas com as outras.

Com personalidade forte e bastante nacionalista, Scolari restabeleceu a identidade com o torcedor. Fez o mesmo em Portugal, em 2006, como se fosse técnica de gerenciamento empresarial
De certa forma, até meados da década de 1970, é essa a tensão do futebol brasileiro. A Copa de 1982 parece ter sido o réquiem melancólico da fórmula mágica para o selecionado nacional. A geração de Zico, Sócrates, Júnior e Falcão foi a última a ter, ainda, alguma dificuldade de diálogo com o futebol europeu.

Até que, em 1994, o processo completou-se. Carlos Alberto Parreira conseguiu formar sua seleção com jogadores já com curta passagem pelo futebol nacional. Taffarel, Branco, Mauro Silva, Bebeto, tinham identificação tênue com times brasileiros. Romário era muito mais do Barcelona do que do Vasco. Não fosse a seca de Copas, a comemoração do título teria sido ainda mais pífia do que foi. Final nos pênaltis, vitórias sem empolgação. Zagallo poderia usar todo o pulmão do mundo ao gritar pela “amarelinha” que a sensação não passava: aquilo não era bem o Brasil.

Em 2002, Scolari conseguiu reverter um pouco o quadro. Os tempos de paridade artificial entre dólar e real, em meados da década de 1990, trouxeram de volta ao Brasil, ou seguraram, mesmo que por breves períodos de tempo, os craques mundiais. Rivaldo, Cafu, Roberto Carlos, Kléberson, Denílson, Marcos, Luizão, Júnior, Edmílson eram jogadores que ou atuavam no Brasil, ou tinham passado por times do país muito recentemente. Com apenas duas exceções: Ronaldo, com brevíssima passagem pelo Cruzeiro, e Ronaldinho, que saiu de maneira atribulada do Grêmio.

Com personalidade forte e bastante nacionalista, Scolari restabeleceu, na escalação e no grito, a identidade do torcedor com o selecionado. Conseguiu fazer o mesmo com a seleção de Portugal, em 2006, repetindo a experiência de organizar a seleção e criar uma identidade com o torcedor como se fosse uma técnica de gerenciamento empresarial.

Embora lucrativa para os investidores, esta estrutura corre o risco de desmoronar sobre si mesma. Pior para os clubes, pior para o futebol, pior para os países
Voltando a Hobsbawm, entendemos o curto-circuito em curso atualmente. Como outros teóricos do Estado-Nação, o historiador percebe a identidade nacional não como algo dado, fixo por fronteiras geográficas. A nação é uma comunidade imaginada, uma ligação entre pessoas que se estrutura materialmente na história coletiva, mas se cristaliza na cultura e no sentimento de que todos têm algo em comum.

São os clubes que hoje estão na periferia do futebol que produzem ou garimpam os talentos. Os mesmos que empobrecem progressivamente e cuja ligação simbólica com o torcedor diminui. É a mesma situação das seleções nacionais, formadas, hoje, por cidadãos com dupla nacionalidade ou por pessoas que já passaram mais da metade de suas vidas adultas vivendo no exterior. E nações, como o próprio Brasil, que têm no futebol uma das pedras fundamentais de sua identidade, deixam de se sentir representadas por aqueles onze de chuteiras.

Ou, como sintetizado pelo historiador, “não é a identidade nacional nem local que define a economia do futebol hoje”. O que temos é um consórcio de prósperos times do oeste europeu que constroem a si mesmos como marcas globais, lucrando com a venda de camisetas e direitos internacionais de transmissão dos jogos pela televisão. Sugando os grandes talentos para as ligas européias e tornando-as um produto para consumo global, o novo futebol tira a qualidade dos campeonatos de outras partes do planeta, enfraquece os clubes (e seleções) dos países mais pobres e compete pela preferência do torcedor mundializado.

Enfim, trata-se de uma estrutura que, embora lucrativa para os acionistas/investidores do mercado global de entretenimento, corre o risco de, assentada sobre o esvaziamento da relação entre clubes e cultura de torcida, desmoronar sobre si mesma. Levando junto a identificação das arquibancadas com suas seleções nacionais. Pior para os clubes, pior para o futebol, pior para os países.

[1] Michel Platini calls for reforms to English game Telegraph.com.uk, 27/11/2007.

[2] Football and the old Marxist who says that it explains the new world. TimesOnline, 06/10/2007.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Os dez jogadores de futebol mais bem pagos do mundo

Revista coloca Kaká como jogador mais bem pago do mundo

Do UOL Esporte
Em São Paulo

Eleito pela Fifa como o melhor jogador do mundo na última temporada, o meia-atacante Kaká também é o mais bem pago de todos. Pelo menos é isso o que garante a revista norte-americana Sports Illustrated, que colocou Ronaldinho Gaúcho logo abaixo do atleta do Milan.

Kaká é o único dos dez que mais recebem que está atualmente no futebol da Itália

Apesar de não citar fontes oficiais, a publicação garante que Kaká recebe US$14,9 milhões por ano. Já o jogador do clube catalão teria um salário equivalente a US$14,1 milhões.

Grande parte dos primeiros nomes inclusos na lista atua no futebol inglês. Somente o Chelsea conta com quatro jogadores entre os dez mais bem pagos no mundo: Lampard, John Terry, Shevchenko e Ballack.

Enquanto isso, o ex-capitão da seleção inglesa David Beckham ocupa apenas a 44ª posição. Normalmente colocado entre os atletas que mais lucram, o jogador do Los Angeles Galaxy receberia a quantia de US$7,5 milhões por ano do clube.

Confira os dez primeiros da lista:

1. Kaká (Milan): US$14.9 milhões
2. Ronaldinho (Barcelona): US$14.1 milhões
3. Frank Lampard (Chelsea): US$13.5 milhões
4. John Terry (Chelsea): US$13.5 milhões
5. Fernando Torres (Liverpool): US$13.1 milhões
6. Andriy Shevchenko (Chelsea): US$12.9 milhões
7. Michael Ballack (Chelsea): US$12.9 milhões
8. Cristiano Ronaldo (Manchester United): US$12.7 milhões
9. Thierry Henry (FC Barcelona): US$12.7 milhões
10. Steven Gerrard (Liverpool): US$12.7 milhões

FONTE: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2008/04/02/ult59u151958.jhtm

quarta-feira, 19 de março de 2008

Candidatura a 2016 pode mudar até educação física

Com um olho na candidatura olímpica a 2016 e outro no alto rendimento, as escolas formam um dos alicerces do plano nacional esportivo formulado pelo Ministério do Esporte.
A pasta já discute com o Ministério da Educação alterações no currículo da educação física escolar para promover a massificação do esporte e, assim, aumentar a base de onde saem os atletas de ponta. Cerca de R$ 30 milhões do orçamento do Esporte neste ano serão destinados a ações nesse sentido.
""Para Londres ganhar o direito de organizar os Jogos de 2012, foi muito importante o trabalho que fez nas escolas. Esse foi um dos pilares da candidatura", declara o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr.
Foi a Youth Sports Trust, instituição sem fins lucrativos formada em 1984 pela união de governo britânico, empresas privadas e setor educativo, a grande responsável pelo processo de massificação e diversificação da prática esportiva nas escolas do Reino Unido.
Segundo levantamento da entidade, há sete anos 25% das escolas proporcionavam uma hora semanal de educação física. Hoje, 86% delas proporcionam ao menos duas horas semanais da disciplina, com várias modalidades esportivas.
""O Brasil pode aprender com Londres. Não existe alternativa para massificar a prática de esporte a não ser associá-lo à educação", reconhece Silva Jr.
O documento, produzido em conjunto por Esporte e Educação, tentará quantificar a infra-estrutura presente nas escolas.
""Detectamos que metade das escolas não tem [equipamentos]. Agora queremos garantir que as escolas não sejam construídas sem eles", explica.
""Até 2016 terão se passado oito anos. O trabalho que começar agora pode ter efeito."
Outra iniciativa do ministério é a adaptação do programa social Segunda Tempo às escolas. ""O Segundo Tempo jamais será um programa que universaliza o esporte no país se não adentrar a escola. Temos de ter uma visão mais ampla", argumenta Júlio Filgueira, secretário nacional de Esporte Educacional da pasta do Esporte.
No caso das escolas que não têm quadras, a idéia é associá-las a áreas esportivas das comunidades ou até a clubes locais.
""Vamos cruzar esporte estudantil com detecção de talentos para direcionar talentos ao alto rendimento. Já capacitamos 3.000 profissionais para essa função e começamos de municípios de menor Ideb [índice criado pelo MEC a partir das taxas de repetência e notas dos alunos para estabelecer metas de melhoria até 2022]."0 (EO)

Fonte: Folha de São Paulo ESPORTE 18 de março de 2008

domingo, 9 de março de 2008

Corpos de consumo

ROSE MARIE MURARO E MARIA TEREZA MALDONADO

O modelo ideal de homem e mulher, em vez de elevar a auto-estima, só faz com que esta diminua e seja substituída por mal-estar

DESDE QUE começamos a trabalhar com mulheres, a pergunta básica que nunca deixou de ser a mesma é sobre o tratamento da mídia a respeito do corpo feminino. Agora, contudo, devido ao avanço da tecnologia, a coisa está se tornando mais grave. O consumo não é mais sobre a forma física da mulher, que é sempre jovem, magra e bela, mas sobre seus laços mais profundos.

Sites americanos e brasileiros apresentam o "pacote de cirurgia pós-parto": lipoaspiração para retirada das gordurinhas extras, correção da vulva e dos seios, tudo para consertar o "estrago" que a gravidez faz no corpo da mulher. Médicos mais sensatos recomendam alguns meses de espera para que a própria fisiologia se encarregue de fazer boa parte do trabalho, mas outros vendem a idéia de "aproveitar a oportunidade do parto" e cuidar de recuperar rapidamente a auto-estima supostamente perdida com a "deformação" provocada pelo feto.

O vínculo amoroso imprescindível com o bebê, a intimidade da amamentação, a importância dos primeiros dias e semanas após o parto para incluir o bebê na família deixaram de ser a prioridade?

Sim. Para a sociedade de consumo, nem o corpo da mulher nem o da criança nem o do homem são prioridades. A prioridade única e exclusiva é o lucro. O lucro vale mais do que a vida humana.

No depoimento de algumas mulheres motivadas a comprar o "pacote", os argumentos giravam em torno de garantir a permanência do desejo do marido, preservar a boa imagem no ambiente de trabalho, destacar a importância do corpo perfeito. E agora perguntamos: vale a pena ficar com um companheiro que só nos quer se estivermos "com tudo em cima"? O consumo também engole os valores mais profundos do amor.

Em conversa com uma moça na faixa dos 20 anos, vimos a insegurança de ir para a cama com o namorado sem estar perfeitamente depilada. Este, por sua vez, também depila os pêlos do peito: não é à toa que cresce o nicho das clínicas de depilação. Será que o desejo ficou tão vulnerável à estética, tão volátil, que desaparece sem os devidos cremes, as horas nas academias e os tratamentos de beleza para corrigir as imperfeições?

É isso que se faz com a juventude.

Ao invés de aumentar a auto-estima, o "modelo perfeito" de homens e mulheres só faz com que esta diminua e seja substituída por um mal-estar subjacente que, desde a adolescência, persegue homens e mulheres a respeito de sua imagem até o fim da vida. Porque é impossível para o ser humano médio competir com os padrões de beleza que vê nas revistas, nos filmes e nas novelas de televisão. O fato se agrava cada vez mais à medida que a mulher vai amadurecendo.

Na maioria dos países desenvolvidos, os anos de vida útil aumentam cada vez mais, e cada vez mais se faz uma publicidade para a beleza amadurecida. No Brasil, as companhias de cosméticos não conseguem furar a barreira do preconceito da eterna juventude, a fim de criar uma "juventude" interna que não se desgasta com o correr dos anos.

Em meio a intensas dores e desconforto de uma plástica de abdome para tirar a barriguinha que ficou mal na foto, uma mulher de meia-idade pensa na calça jeans e nos vestidos de malha que conseguirá usar depois de atravessar a via-crúcis do pós-cirúrgico e das várias limitações à sua mobilidade nas primeiras semanas.
Qual o verdadeiro sentido desse sofrimento auto-imposto?

O amor, o desejo, a ternura e a cumplicidade podem existir entre pessoas com corpos imperfeitos. Ao contrário do que a mídia apregoa, quanto mais maduros homens e mulheres, mais profundas se tornam suas relações, mais independentes de estereótipos e mais prazerosas, de um prazer inabalável, se não fosse o bombardeio midiático de que a velhice é uma doença, e não uma plenitude.

Para onde nos leva o capital/dinheiro? São inaceitáveis as marcas (e os marcos) do tempo no corpo? É imoral envelhecer? O pior é que não é só o corpo que o capital/dinheiro destrói. Ele destrói também a capacidade de homens e mulheres de aprofundarem a sua relação com a realidade. Destruir o corpo real e substituí-lo por um corpo de consumo é também substituir a "realidade real" por uma "realidade de consumo", que tende a destruir a própria espécie humana (a partir do desequilíbrio climático pelo excesso de consumo).
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ROSE MARIE MURARO, 75, escritora e editora, é patrona do feminismo brasileiro (Lei 11.261/2005).
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MARIA TEREZA MALDONADO, 59, psicóloga, é integrante da American Family Therapy Academy, com mais de 20 livros publicados.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0703200808.htm

sábado, 8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, essa data passou a ser legalmente aceita.

Enquanto isso, ouvimos nas rádios e canais de tv. "08 de março, dia da mulher, presentei a quem você ama". Virou negócio!!!