28 julho
Show Pirotécnico às 5 horas, em 40 bairros da cidade.
Alvorada de Sinos às 6 horas, Igrejas Católicas.
Hasteamento Bandeiras, às 8 horas, Catedral
Hinos e Missa Solene
Inauguração do monumento às 10 horas, Av. Aziz Maron
"Saga Grapiúna"
Inauguração às obras da às 11 horas e 30 minutos, Av. J. S. Pinheiro
Escola SEST/SENAI
Inauguração da Av Pedro às 15 horas, Pedro Jerônimo
Jorge
Inauguração da nova Avenida às 17 horas e 30 minutos, Av do Cinquentenário
do Cinquentenário ( na verdade
é inauguração da calçada, que
é tosca e fosca)
Apresentação de evento Gospel às 19 horas, Av Princesa Isabel
Aline Barros
Apresentação da ORQUESTRA às 20 horas, Praça Rio Cahoeira
SINFÔNICA DA BAHIA
quarta-feira, 28 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Eleições
Eleições se aproximando e eu atento aos movimentos do sobe e desce das pesquisas. Se no início as mesmas davam o SERRA na frente da principal oponente, a DILMA, agora o negócio é diferente.

Há quem diga que somente os que creem em papai noel, duendes e congêneres, não tem dúvidas sobre a vitória de SERRA. Viva a xuxa!!!

Há quem diga que somente os que creem em papai noel, duendes e congêneres, não tem dúvidas sobre a vitória de SERRA. Viva a xuxa!!!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Saída de emergência? Tome um sorvete antes!!!
Quem fosse fazer compras no BOMPREÇO da Garibaldi no último dia 12 e precisasse utilizar a saída de emergência do supermercado ia ter um pouco de dificuldade para isso.

Os funcionários da empresa colocaram, conforme a foto tirada por mim, que estive por lá fazendo o dever de casa, um baita de um freezer justamente na porta que dar acesso a saída de emergência.

Talvez os mesmos achassem que na correria, alguém podia querer tomar um sorvetinho. Pois sim.

Os funcionários da empresa colocaram, conforme a foto tirada por mim, que estive por lá fazendo o dever de casa, um baita de um freezer justamente na porta que dar acesso a saída de emergência.

Talvez os mesmos achassem que na correria, alguém podia querer tomar um sorvetinho. Pois sim.
domingo, 4 de julho de 2010
Pistoleiro, a mando de empresa de mineração, ameaçam comunidade rural
Atualmente, uma das principais ameaças às comunidades rurais do norte da Bahia é o avanço das empresas de pesquisa e exploração mineral. Geralmente, as empresas chegam às comunidades sem o consentimento das famílias ou fazendo promessas de geração de emprego e progresso. Em alguns casos, quando as comunidades não aceitam a presença da empresa, há ameaças e riscos para as famílias, como está acontecendo no município de Sento-Sé, Bahia.
Segundo relatos de moradores da comunidade de Campo Largo, no município de Sento Sé, no dia 27 de abril deste ano, um grupo de pessoas falando em nome da empresa Biobrax S/A e do engenheiro Enoque Domingos de Oliveira Junior procurou a presidente da Associação de Fundos de Pasto dos Pequenos Produtores de Campo Largo, Carmem Alves Batista, oferecendo dinheiro, com o objetivo de conseguir a adesão dela para que convencesse a comunidade a aceitar a pesquisa mineral na comunidade.
Por conhecer os impactos e a destruição que as mineradoras causam às famílias rurais e à natureza, a presidente da referida associação recusou a proposta. Segundo a própria Carmem, diante da sua recusa, no dia 5 de maio, um morador da comunidade que trabalha para a empresa a ameaçou de morte, dizendo que ela só tinha 15 dias de vida.
A partir de então, Carmem passou a ser perseguida pelo morador que, segundo ela, informou que já havia um pistoleiro, conhecido por Raimundo da Umburana, pronto para executá-la.
Ainda de acordo com relatos de moradores da comunidade, no dia 18 de junho, um grupo de 12 homens portando armas, chegou à comunidade ameaçando os moradores e à procura de Carmem. Em seguida, o mesmo grupo foi a outra comunidade, de nome Alegre, e procedeu da mesma forma: diziam que ou a comunidade deixava a terra livre para eles ou haveriam mortes.
Ainda segundo informações da comunidade, imediatamente, a Polícia Militar foi acionada, seguiu e capturou os pistoleiros, que informaram estar a serviço da Biobrax. Moradores ainda informaram que a empresa tem interesse em explorar minério e plantar pinhão-manso para a geração de biodiesel.
A comunidade de Campo Largo está assustada com o fato, mas permanece unida e organizada, resistindo à investida da empresa e defendendo os seus territórios.
Diante desse fato, denunciamos e exigimos providências das autoridades constituídas, para a que a comunidade continue com segurança e vivendo em harmonia com a natureza.
Comissão Pastoral da Terra – Diocese de Juazeiro, Bahia.
Segundo relatos de moradores da comunidade de Campo Largo, no município de Sento Sé, no dia 27 de abril deste ano, um grupo de pessoas falando em nome da empresa Biobrax S/A e do engenheiro Enoque Domingos de Oliveira Junior procurou a presidente da Associação de Fundos de Pasto dos Pequenos Produtores de Campo Largo, Carmem Alves Batista, oferecendo dinheiro, com o objetivo de conseguir a adesão dela para que convencesse a comunidade a aceitar a pesquisa mineral na comunidade.
Por conhecer os impactos e a destruição que as mineradoras causam às famílias rurais e à natureza, a presidente da referida associação recusou a proposta. Segundo a própria Carmem, diante da sua recusa, no dia 5 de maio, um morador da comunidade que trabalha para a empresa a ameaçou de morte, dizendo que ela só tinha 15 dias de vida.
A partir de então, Carmem passou a ser perseguida pelo morador que, segundo ela, informou que já havia um pistoleiro, conhecido por Raimundo da Umburana, pronto para executá-la.
Ainda de acordo com relatos de moradores da comunidade, no dia 18 de junho, um grupo de 12 homens portando armas, chegou à comunidade ameaçando os moradores e à procura de Carmem. Em seguida, o mesmo grupo foi a outra comunidade, de nome Alegre, e procedeu da mesma forma: diziam que ou a comunidade deixava a terra livre para eles ou haveriam mortes.
Ainda segundo informações da comunidade, imediatamente, a Polícia Militar foi acionada, seguiu e capturou os pistoleiros, que informaram estar a serviço da Biobrax. Moradores ainda informaram que a empresa tem interesse em explorar minério e plantar pinhão-manso para a geração de biodiesel.
A comunidade de Campo Largo está assustada com o fato, mas permanece unida e organizada, resistindo à investida da empresa e defendendo os seus territórios.
Diante desse fato, denunciamos e exigimos providências das autoridades constituídas, para a que a comunidade continue com segurança e vivendo em harmonia com a natureza.
Comissão Pastoral da Terra – Diocese de Juazeiro, Bahia.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Expressão Popular nas Universidades
SEMANA DA EXPRESSÃO POPULAR NA UEFS (10 a 14/05)
“EXPRESSÃO POPULAR: 10 ANOS NA BATALHA DAS IDÉIAS”
A Editora Expressão Popular firmou-se como uma proposta editorial nascida das lutas sociais e políticas. Calcada num catálogo crítico e marxista (desde os clássicos até autores contemporâneos), esteve sempre voltada à formação política em seus mais diversos degraus, à de quadros até a de base.
Consolidou-se mantendo a independência política. A forma para fazer isso foi o trabalho militante e voluntário de inúmeros colaboradores. Isso possibilitou que os livros fossem comercializados a preços extremamente reduzidos, fazendo-os circular nos mais diversos espaços: movimentos, partidos, organizações populares e universidades.
Continuar cumprindo esse papel é um desafio para EEP e para todos aqueles e aquelas comprometidos/as com a transformação social.
Vida Longa a Expressão Popular!
PROGRAMAÇÃO:
10/05 – Abertura: Auditório IV, Módulo 7
14:00: Mesa 1 - O Marxismo na Batalha das Idéias
- Prof. Eurelino Coelho (LABELU-UEFS)
- Prof. Welington Silva (LEPEL-UEFS)
- Djacira Oliveira (Consulta Popular/MST)
11/05 – Auditório I, Módulo 1
18:00: Mesa 2: A Crise Ecológica e as Alternativas Contra-Hegemônicas: Debates da Agroecologia e dos Povos Tradicionais
- Prof. Luis Ferraro (DTEC-UEFS)
- Prof. Fábio Bandeira (DCBIO-UEFS)
- Gilmar (PJR)
12/05 – Auditório III, Módulo 5
18:00: Mesa 3 - As Transformações no Mundo do Trabalho: Impactos no Campo e na Cidade
- Prof. Cloves Araújo (DCIS-UEFS)
- Profª. Nacelice Freitas (DCHF-UEFS)
- Milton Viário (Confederação Nacional dos Metalúrgicos)
13/05 – Auditório III, Módulo 5
18:00: Mesa 4: Educação Popular e Transformação Social
- Ademar Bogo (Consulta Popular/MST)
- Profª. Maria Helena (PROEX-UEFS)
- Profª. Ludmila Cavalcanti (DEDU-UEFS)
14/05 – Auditório IV, Módulo 7
8:00: Mesa 5 - Lutas Populares no Brasil: Classes e Projetos em Disputa
- Prof. André Uzeda (DCHF-UEFS)
- Profª. Elizete Souza (DCHF-UEFS)
- Prof. Fábio Paes (UFRB)
14/05 – Auditório I, Módulo 1
14:00: Mesa 6: Acesso a Sáude Pública e o Significado da Luta pelo SUS
- Fernanda (Seminário Livre-UFBA)
- Alan Jonh (Lutar e Construir-UEFS)
- Fabrício (Médico)
OBS: Serão expedidos certificados da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) aos participantes para cada Mesa-Redonda.
“EXPRESSÃO POPULAR: 10 ANOS NA BATALHA DAS IDÉIAS”
A Editora Expressão Popular firmou-se como uma proposta editorial nascida das lutas sociais e políticas. Calcada num catálogo crítico e marxista (desde os clássicos até autores contemporâneos), esteve sempre voltada à formação política em seus mais diversos degraus, à de quadros até a de base.
Consolidou-se mantendo a independência política. A forma para fazer isso foi o trabalho militante e voluntário de inúmeros colaboradores. Isso possibilitou que os livros fossem comercializados a preços extremamente reduzidos, fazendo-os circular nos mais diversos espaços: movimentos, partidos, organizações populares e universidades.
Continuar cumprindo esse papel é um desafio para EEP e para todos aqueles e aquelas comprometidos/as com a transformação social.
Vida Longa a Expressão Popular!
PROGRAMAÇÃO:
10/05 – Abertura: Auditório IV, Módulo 7
14:00: Mesa 1 - O Marxismo na Batalha das Idéias
- Prof. Eurelino Coelho (LABELU-UEFS)
- Prof. Welington Silva (LEPEL-UEFS)
- Djacira Oliveira (Consulta Popular/MST)
11/05 – Auditório I, Módulo 1
18:00: Mesa 2: A Crise Ecológica e as Alternativas Contra-Hegemônicas: Debates da Agroecologia e dos Povos Tradicionais
- Prof. Luis Ferraro (DTEC-UEFS)
- Prof. Fábio Bandeira (DCBIO-UEFS)
- Gilmar (PJR)
12/05 – Auditório III, Módulo 5
18:00: Mesa 3 - As Transformações no Mundo do Trabalho: Impactos no Campo e na Cidade
- Prof. Cloves Araújo (DCIS-UEFS)
- Profª. Nacelice Freitas (DCHF-UEFS)
- Milton Viário (Confederação Nacional dos Metalúrgicos)
13/05 – Auditório III, Módulo 5
18:00: Mesa 4: Educação Popular e Transformação Social
- Ademar Bogo (Consulta Popular/MST)
- Profª. Maria Helena (PROEX-UEFS)
- Profª. Ludmila Cavalcanti (DEDU-UEFS)
14/05 – Auditório IV, Módulo 7
8:00: Mesa 5 - Lutas Populares no Brasil: Classes e Projetos em Disputa
- Prof. André Uzeda (DCHF-UEFS)
- Profª. Elizete Souza (DCHF-UEFS)
- Prof. Fábio Paes (UFRB)
14/05 – Auditório I, Módulo 1
14:00: Mesa 6: Acesso a Sáude Pública e o Significado da Luta pelo SUS
- Fernanda (Seminário Livre-UFBA)
- Alan Jonh (Lutar e Construir-UEFS)
- Fabrício (Médico)
OBS: Serão expedidos certificados da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) aos participantes para cada Mesa-Redonda.
sábado, 1 de maio de 2010
Loucos e insensatos
Por Gerivaldo Neiva
Juiz de Direito da Comarca de Conceiçãodo Coité (BA)
Trafegava nesta quinta-feira pela BR-324 (Salvador – Feira de Santana) e vi a marcha do MST pela rodovia. Saíram de Feira de Santana e a previsão de chegada a Salvador é na segunda-feira. São mais de 100 km de caminhada.
Fala-se em 5 mil ou 6 mil participantes. Vi muitos jovens e mulheres participando da marcha.
Segundo a imprensa local, “a manifestação tem como objetivos cobrar mais agilidade na reforma agrária no País e cobrar do governo a realização de obras negociadas em manifestações anteriores, como a construção de casas e escolas em 120 assentamentos no Estado”.
A marcha também tem o caráter de protesto contra a criminalização dos movimentos sociais e contra a impunidade no campo, afirmou o deputado estadual Valmir Assunção (PT), que integra a marcha.
Com ele, estão outras lideranças do partido na Bahia, como o vice-presidente estadual da legenda, Weldes Valeriano. Na programação dos participantes, estão previstas “caminhadas pela manhã e atividades culturais – como curso de formação política e exibição de filmes – nos outros períodos”.
Antes de encontrar os membros do MST em caminhada, parei em um posto para abastecer o carro e puxei conversa com o frentista sobre a marcha. Comecei perguntando se estavam muito na frente e ele me respondeu que tinham passado por ali na manhã anterior e que àquela hora (mais ou menos às nove da manhã) já deveriam ter levantado acampamento e estavam novamente na pista.
Em seguida, tentou me confortar argumentando que era feriado, o trânsito não estava intenso e talvez não encontrasse muito engarrafamento.
Respondi que não me incomodava muito, pois o MST tinha o direito de lutar e de se manifestar. Ele se animou para continuar a conversa e alegou que também gostava do MST e da coragem deles, mas não gostava quando se tornavam violentos, destruíam plantações e casas das fazendas invadidas. Desejei bom dia de trabalho ao frentista e segui viagem.
Depois que passei por aquela multidão de homens e mulheres, caminhado em duas filas indianas, cantando e demonstrando que estavam voluntariamente naquela caminhada, pensei comigo mesmo: são mesmo loucos e insensatos!
Ora, são mais de 100 km de caminhada e nesta época do ano costuma chover muito no recôncavo baiano. Loucos e insensatos, mesmo!
Mais na frente, lembrei-me da observação do frentista com relação à violência do MST e pensei: também, o que se pode esperar de loucos e insensatos?
Que vão entrar com muito cuidado nas fazendas que ocupam, cuidar bem da casa, deixar tudo limpo e arrumado? Não, nada disso. São loucos e insensatos!
Mas o que os levou à loucura e à insensatez?
Por que tantos jovens, moças e rapazes, já perderam a razão e os bons modos ainda na flor da idade?
Esta doença é hereditária e foi causada por mais de 500 anos de exclusão e opressão. No início, os índios, depois os negros, depois os posseiros e pequenos colonos foram excluídos da terra e lançados ao léu.
Agora, séculos depois, tornaram-se “sem-terra” e marcham pelas rodovias do país, moram em acampamentos, ocupam fazendas, derrubam laranjais, queimam sedes luxuosas, matam bois para comer a carne… São uns loucos e insensatos.
Sendo assim, diferente dos “doutores da lei”, eles não sabem distinguir os vários tipos de posse, não sabem distinguir posse de propriedade e, muito menos, o que sejam os tais “interditos proibitórios.”
Para eles, interessa somente a terra e os alimentos que dela brotam. Terra, portanto, não se confunde com posse e, muito menos, com propriedade.
Terra é mãe e produz alimentos, é o local, o espaço sagrado e detentor das possibilidades de continuidade da espécie humana sobre o planeta. Propriedade, de outro lado, é mera abstração, conceito, idéia, pedaço de papel, registro em cartório…
Não compreendem os loucos e insensatos do MST, enfim, por que tantos “letrados” andam dizendo por aí que a “propriedade” é um direito sagrado.
Ora, sagrada é a terra, e não a propriedade dela! Esse destino místico da terra, porém, não se realiza com pastos e pisadas de bois ou eucalipto para virar celulose, mas com a presença do homem, como se pertencessem um ao outro, plantando e colhendo, no cio da terra, alimentos para o mundo.
O homem, portanto, não pode impor qualquer função ou amarras à terra, pois ela já tem desde sempre o seu destino inafastável, que é oferecer a vida ao homem que lhe habita.
Pensando bem, aliás, o que seria da vida, da liberdade e do mundo sem os loucos e os insensatos?
Juiz de Direito da Comarca de Conceiçãodo Coité (BA)
Trafegava nesta quinta-feira pela BR-324 (Salvador – Feira de Santana) e vi a marcha do MST pela rodovia. Saíram de Feira de Santana e a previsão de chegada a Salvador é na segunda-feira. São mais de 100 km de caminhada.
Fala-se em 5 mil ou 6 mil participantes. Vi muitos jovens e mulheres participando da marcha.
Segundo a imprensa local, “a manifestação tem como objetivos cobrar mais agilidade na reforma agrária no País e cobrar do governo a realização de obras negociadas em manifestações anteriores, como a construção de casas e escolas em 120 assentamentos no Estado”.
A marcha também tem o caráter de protesto contra a criminalização dos movimentos sociais e contra a impunidade no campo, afirmou o deputado estadual Valmir Assunção (PT), que integra a marcha.
Com ele, estão outras lideranças do partido na Bahia, como o vice-presidente estadual da legenda, Weldes Valeriano. Na programação dos participantes, estão previstas “caminhadas pela manhã e atividades culturais – como curso de formação política e exibição de filmes – nos outros períodos”.
Antes de encontrar os membros do MST em caminhada, parei em um posto para abastecer o carro e puxei conversa com o frentista sobre a marcha. Comecei perguntando se estavam muito na frente e ele me respondeu que tinham passado por ali na manhã anterior e que àquela hora (mais ou menos às nove da manhã) já deveriam ter levantado acampamento e estavam novamente na pista.
Em seguida, tentou me confortar argumentando que era feriado, o trânsito não estava intenso e talvez não encontrasse muito engarrafamento.
Respondi que não me incomodava muito, pois o MST tinha o direito de lutar e de se manifestar. Ele se animou para continuar a conversa e alegou que também gostava do MST e da coragem deles, mas não gostava quando se tornavam violentos, destruíam plantações e casas das fazendas invadidas. Desejei bom dia de trabalho ao frentista e segui viagem.
Depois que passei por aquela multidão de homens e mulheres, caminhado em duas filas indianas, cantando e demonstrando que estavam voluntariamente naquela caminhada, pensei comigo mesmo: são mesmo loucos e insensatos!
Ora, são mais de 100 km de caminhada e nesta época do ano costuma chover muito no recôncavo baiano. Loucos e insensatos, mesmo!
Mais na frente, lembrei-me da observação do frentista com relação à violência do MST e pensei: também, o que se pode esperar de loucos e insensatos?
Que vão entrar com muito cuidado nas fazendas que ocupam, cuidar bem da casa, deixar tudo limpo e arrumado? Não, nada disso. São loucos e insensatos!
Mas o que os levou à loucura e à insensatez?
Por que tantos jovens, moças e rapazes, já perderam a razão e os bons modos ainda na flor da idade?
Esta doença é hereditária e foi causada por mais de 500 anos de exclusão e opressão. No início, os índios, depois os negros, depois os posseiros e pequenos colonos foram excluídos da terra e lançados ao léu.
Agora, séculos depois, tornaram-se “sem-terra” e marcham pelas rodovias do país, moram em acampamentos, ocupam fazendas, derrubam laranjais, queimam sedes luxuosas, matam bois para comer a carne… São uns loucos e insensatos.
Sendo assim, diferente dos “doutores da lei”, eles não sabem distinguir os vários tipos de posse, não sabem distinguir posse de propriedade e, muito menos, o que sejam os tais “interditos proibitórios.”
Para eles, interessa somente a terra e os alimentos que dela brotam. Terra, portanto, não se confunde com posse e, muito menos, com propriedade.
Terra é mãe e produz alimentos, é o local, o espaço sagrado e detentor das possibilidades de continuidade da espécie humana sobre o planeta. Propriedade, de outro lado, é mera abstração, conceito, idéia, pedaço de papel, registro em cartório…
Não compreendem os loucos e insensatos do MST, enfim, por que tantos “letrados” andam dizendo por aí que a “propriedade” é um direito sagrado.
Ora, sagrada é a terra, e não a propriedade dela! Esse destino místico da terra, porém, não se realiza com pastos e pisadas de bois ou eucalipto para virar celulose, mas com a presença do homem, como se pertencessem um ao outro, plantando e colhendo, no cio da terra, alimentos para o mundo.
O homem, portanto, não pode impor qualquer função ou amarras à terra, pois ela já tem desde sempre o seu destino inafastável, que é oferecer a vida ao homem que lhe habita.
Pensando bem, aliás, o que seria da vida, da liberdade e do mundo sem os loucos e os insensatos?
sábado, 24 de abril de 2010
MST realiza marcha
Mais de cinco mil trabalhadores rurais Sem Terra devem participar da marcha de Feira de Santana a Salvador, que acontece entre os dias 19 e 26 de Abril. A marcha pretende chamar a atenção dos governos e da sociedade para a urgência da Reforma Agrária no Brasil, bem como para as recentes e reiteradas tentativas de criminalizar as lutas sociais no país.
Na Bahia, o movimento sofre com o atraso no processo de assentamento das mais de 25 mil famílias acampadas debaixo de lona preta. A falta de funcionários no Incra, a burocracia no licenciamento ambiental e a falta de empenho dos governos federal e estadual emperram a Reforma Agrária no estado.
Pautas negociadas em marchas anteriores ainda estão à espera de cumprimento, como assistência técnica, crédito e infra-estrutura (luz elétrica, construção de casas, estradas e escolas) nos cerca de 120 assentamentos das 9 regionais do MST no estado.
Marcha
Atividade integrante da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária 2010, a marcha contará com várias atividades artísticas e educativas, além de atos em parceria com outros movimentos sociais, nas cidades e comunidades por onde passará. Os Sem Terra percorrerão mais de 100 km pela BR 324, em sete dias de caminhada. Após as longas caminhadas da manhã, haverá cursos de formação política, oficinas de arte-educação e rodas de capoeira. O Cinema da Terra fará a exibição de diversos filmes que retratam a luta e a cultura dos povos, e os artistas da Reforma Agrária farão pequenas apresentações para animar as noites culturais e a caminhada. A Rádio Livre MST fará transmissões ao vivo, com informes e entrevistas.
Como parte das ações da Jornada, o movimento realizou neste mês cerca de quinze ocupações, até o momento. Pelo menos o dobro de ações são esperadas até a marcha.
Na Bahia, o movimento sofre com o atraso no processo de assentamento das mais de 25 mil famílias acampadas debaixo de lona preta. A falta de funcionários no Incra, a burocracia no licenciamento ambiental e a falta de empenho dos governos federal e estadual emperram a Reforma Agrária no estado.
Pautas negociadas em marchas anteriores ainda estão à espera de cumprimento, como assistência técnica, crédito e infra-estrutura (luz elétrica, construção de casas, estradas e escolas) nos cerca de 120 assentamentos das 9 regionais do MST no estado.
Marcha
Atividade integrante da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária 2010, a marcha contará com várias atividades artísticas e educativas, além de atos em parceria com outros movimentos sociais, nas cidades e comunidades por onde passará. Os Sem Terra percorrerão mais de 100 km pela BR 324, em sete dias de caminhada. Após as longas caminhadas da manhã, haverá cursos de formação política, oficinas de arte-educação e rodas de capoeira. O Cinema da Terra fará a exibição de diversos filmes que retratam a luta e a cultura dos povos, e os artistas da Reforma Agrária farão pequenas apresentações para animar as noites culturais e a caminhada. A Rádio Livre MST fará transmissões ao vivo, com informes e entrevistas.
Como parte das ações da Jornada, o movimento realizou neste mês cerca de quinze ocupações, até o momento. Pelo menos o dobro de ações são esperadas até a marcha.
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